• Dra. Maithê

Tratamento do diabetes e pré-diabetes agora mira 8 causas

Atualizado: Mar 17

Acompanhamento médico obtém melhores resultados ao focar um maior número de fatores que motivam ambas as doenças


O processo evolutivo do diabetes pode ser estagnado com novas abordagens de dietas, exercícios e medicamentos

O diabetes acontece quando a glicose resultante da digestão dos alimentos permanece no sangue, sem que possa entrar nas células.


Os seus sintomas e consequências são severos e podem compreender casos graves como cegueira, lesões nos rins, amputação de membros e outros.


O pré-diabetes, em particular, configura uma fase preliminar da doença, em que muitos acreditam que não requer grande atenção. Mas essa é uma visão equivocada, pois, nessa fase, cerca de 50% das células do pâncreas já foram destruídas. Assim, a falta do tratamento adequado poderá acarretar não apenas o total comprometimento do órgão, mas também o agravamento dos efeitos secundários da doença.


Apesar desse quadro adverso, o diabético e o pré-diabético podem hoje contar com uma qualidade de vida nunca vista antes, caso procurem o atendimento médico adequado. Isso porque, nos últimos anos, a medicina produziu vários avanços nesse campo, tanto no diagnóstico como no tratamento.


Em termos de diagnóstico, uma das técnicas laboratoriais mais recentes pode verificar a média de glicose no organismo durante os últimos 3 meses. Trata-se de um método bem mais confiável em relação às demais técnicas que verificam o índice apenas no exato momento do exame. O novo procedimento é realizado a partir do estudo da membrana das células vermelhas, onde ficam gravados os sinais de picos de açúcar no sangue.


Com relação ao tratamento do diabetes e pré-diabetes, esse se tornou bem mais amplo, pois hoje foca 8 diferentes causas, de acordo com o octeto de DeFronzo - estudo que leva o nome do pesquisador que o publicou em 2009:


  1. Produção de glicose pelo fígado. Processo conhecido como glicogênese e neoglicogênese.

  2. Deficiência de insulina por conta de esgotamento de sua produção. Ocorre a partir da deficiência e diminuição das células beta-pancreáticas. Está associada com o diabetes do tipo 2 e é responsável por 90% dos casos.

  3. Desequilíbrio nos níveis de glucagon/ células alfa pancreáticas. Quando em desequilíbrio, esse outro hormônio produzido pelo pâncreas pode estimular a presença de glicose no sangue, ainda que o nível já esteja alto.

  4. Obesidade/ células adiposas / aumento de lipólise. Em geral, a obesidade produz vários fatores de inflamação que contribuem para aumentar a resistência do organismo à ação da insulina.

  5. Mensagens prejudiciais do cérebro. Esse fator é observado quando o cérebro deixa de enviar no momento correto as mensagens de saciedade durante a alimentação ou quando deixa de controlar de forma eficaz os níveis de glicose produzida pelo fígado.

  6. Ação do hormônio GLP1. Em níveis reduzidos, esse hormônio produzido no intestino deixa de auxiliar tanto na sensação de saciedade durante alimentação quanto no controle da produção de insulina.

  7. Ação da proteína SGLT2 no túbulo proximal dos rins. Os rins, em geral, têm a capacidade de secretar uma parte relevante da glicose que se encontra em excesso no organismo. Esse mesmo órgão pode ainda recaptar até 30% do total de açúcar circulante no organismo.

  8. Musculatura A falta de músculos, em geral, faz com que as células não captem a glicose do sangue de forma adequada, aumentando a resistência Insulínica.


Assim, ao considerar um maior numero de alvos, os novos tratamentos hoje podem também levar em conta, por exemplo, medicamentos que neutralizam a ação da proteína SGLT2, possibilitando que uma parte significativa do excesso de glicose seja eliminada pela urina.


Paralelamente, outras drogas podem contribuir para a correção dos níveis de glucagon e GLP1, além de administrar as mensagens ineficazes do cérebro bem como o quadro de obesidade, entre outros aspectos.


Desta forma, a medicina deixou de mirar somente a produção de insulina a partir do pâncreas, tendo em vista que foram descobertas novas causas para a doença. Além disso, atualmente são consideradas mais opções de dietas e terapias, de acordo com o perfil de cada paciente. Por tudo isso, os resultados alcançaram maior eficácia, a ponto de possibilitar a estagnação do tão temido processo evolutivo do diabetes e pré-diabetes.


Mitos e verdades


1 – Não é possível reverter a progressão do quadro dediabetes do tipo 2.


Mito. De acordo com uma recente publicação divulgada no Congresso Americano de Diabetes, o pré-diabetes e o diabetes tipo 2, de fato, configuram doenças evolutivas, mas hoje o processo pode ser estagnado com dietas, exercícios e medicamentos.


2 – Pessoas com pré-diabetes estão mais propensas a ter gripes e outras doenças.


Mito. Na verdade, o quadro de imunidade mais baixa afeta o paciente já diabético.


3 – Síndrome do ovário policístico pode aumentar o risco de pré-diabetes.


Verdade. A Síndrome do Ovário Policístico é uma das doenças que pode provocar a resistência insulínica e, por consequência, o diabetes.


4 – O diabetes está relacionado com a gordura abdominal.


Verdade. Esse tipo de gordura dura deixa pessoa mais propensa à doença.


5 - Estou grávida e tenho pré-diabetes. Isso significa que tenho maior risco de desenvolver diabetes gestacional.


Verdade . No pré-diabetes já existe uma sobrecarga no desgaste da função pancreática . Com a gestação, aumento de peso e aumento da resistência Insulínica , o quadro pode abrir . Mas, na verdade, a classificação de diabetes gestacional vem de mulheres não diabéticas ou não pré-diabéticas que desenvolvem um diabetes na gestação.


6- Quem sofre de diabetes gestacional continuará diabética.


Mito. Essas mulheres continuarão diabéticas em apenas 30% dos casos.

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