• Dra. Maithê

Novos medicamentos atacam outras causas do diabetes

Atualizado: Mar 19

Hoje se sabe que não apenas o pâncreas, mas também intestino, rim, fígado, cérebro e células de gordura podem contribuir com o surgimento da doença.


Dependendo da causa, existem medicamentos novos e específicos

O diabetes se caracteriza pelo excesso de glicose no sangue decorrente de uma redução ou deficiência na produção de insulina pelo pâncreas. Existem várias formas de diabetes, mas os principais são os tipos 1 e 2.


Diabetes tipo 1


O tipo 1, que corresponde a cerca de 10% dos casos de diabetes, é considerado uma doença autoimune. Quando se manifesta, os anticorpos destroem as células beta do pâncreas que, por sua vez, deixa de produzir insulina ou passa a produzi-la em menor quantidade. Existem anticorpos contra o pâncreas e contra a insulina circulante.

Esta versão da doença atinge principalmente crianças e adolescentes. Embora desde os dois anos a criança já possa apresentar o quadro, a maioria dos diagnósticos se dá entre 5 e 10 anos de idade.


Os principais sintomas são perda acentuada de peso e muita vontade de beber água e urinar. Neste caso, a insulina deve ser usada desde o início e a glicose da criança deve ser monitorada com frequência.


Diabetes tipo 2


O tipo 2 representa cerca de 90% dos casos de diabetes e normalmente está relacionado com sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão, hábitos alimentares inadequados e outros fatores.


A doença pode ainda ter causa hereditária e, por isso, se seus pais, avós e tios de primeiro grau desenvolveram esse tipo de diabetes, é possível que você também seja acometido.

Entretanto, o aparecimento do diabetes tipo 2 pode ser retardado ou mesmo evitado se você praticar boa alimentação, exercícios físicos e controle do estresse.


Diagnóstico


O diagnóstico de diabetes é feito através de um exame de sangue que mede os níveis de glicemia.


Quanto a glicemia for menor ou igual a 99, não é diabetes. Se a taxa for de 100 a 125, a glicose está alterada e fica uma dúvida. O esclarecimento dessa dúvida é feito por meio do exame de curva glicêmica, em que o paciente ingere uma quantidade de açúcar e são feitas medições de glicemia após meia hora, após uma hora e após duas horas. O objetivo é verificar como o pâncreas reagiu. Se a taxa for maior que 200, o paciente é diabético. Se for menor que 140, não é. Se estiver entre 140 e 200, ele é pré-diabético.


Outros medicamentos

Hoje, se sabe que o diabetes tipo 2 não é causado apenas por problemas com o pâncreas. A teoria de Octeto de DeFronzo demonstrou que a doença também acontece por outros motivos relacionados com o intestino, rim, fígado, cérebro e até mesmo células de gordura – que podem produzir mais ou menos glicose.


Desta forma, o tratamento da doença não se restringe mais a só tomar insulina. Dependendo da causa, existem medicamentos específicos como metiformina, inibidores de DDP-4 e pioglitazona. O remédio mais moderno é o SGLT-2, cuja ação estimula o paciente a excretar o açúcar pela urina.


Outra classe de remédios importantes é a de análogos de GLP-1, que auxiliam a controlar a doença e ainda ajudam no emagrecimento. Como a insulina é anabólica, este medicamento (a GLP-1) ajuda muitos pacientes a não engordarem. Hoje, uma nova tecnologia permite misturar na mesma caneta de aplicação a insulina e os análogos de GLP- 1.


Por isso, é cada vez melhor o desempenho da medicina no sentido de proporcionar ao diabético uma boa qualidade de vida, com reduzidas chances de perda de visão, infarto e perda de membros inferiores.


Outras tecnologias


O tratamento de diabetes envolve o monitoramento constante da glicose. A forma mais comum de medição é a partir da retirada de sangue do dedo através de uma agulha, a fim de fazer a medição por meio de um aparelho portátil.


Hoje, porém, já está disponível uma tecnologia mais avançada, que evita as picadas de agulha. O equipamento consiste de um sensor que é colocado no braço e é trocado a cada 14 dias.


Outra novidade que está chegando ao Brasil é um aparelho desenvolvido para o paciente aspirar a insulina. Esse recurso é indicado para quando houver a necessidade de rápida ação do hormônio.


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