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Gorduras ruins X Gorduras boas

Elas estão presentes tanto na dieta quanto no corpo


A gordura presente no organismo humano se apresenta em diferentes tipos, com colorações distintas

Quando se fala em gorduras, em geral acredita-se que todas sejam maléficas para a saúde. Entretanto, é importante destacar que existem gorduras boas e gorduras ruins. Saber identificá-las é fundamental para garantir o bom funcionamento do organismo e evitar doenças.

Gorduras ruins na dieta

Na dieta, uma das gorduras que podem fazer mal é a saturada, que está presente nas carnes vermelhas e brancas com gordura aparente, além de leite, manteiga, azeite de dendê e outros alimentos.

É preciso consumir este tipo de gordura com moderação porque ela aumenta o LDL, o colesterol ruim que está relacionado com o entupimento de vasos sanguíneos. Admite-se um limite de 10% desta gordura nas calorias ingeridas diariamente.

A gordura trans, por outro lado, deve ser evitada ao máximo, pois tanto aumenta o colesterol ruim como diminui o bom, sem gerar qualquer benefício para a saúde. Está presente em alimentos industrializados como margarinas, bolachas, salgadinhos, etc.

Gorduras boas na dieta

As gorduras bem-vindas à alimentação diária são as insaturadas, que ajudam a aumentar o colesterol bom (HDL) e diminuir o ruim (LDL). Por serem calóricas, devem ser usadas com moderação. Elas se subdividem em:

Monoinsaturadas: azeite de oliva, óleo de canola, coco, abacate, amendoim, castanha de caju, nozes e amêndoas. Podem compor 20% da dieta diária em calorias.

Poli-insaturadas: salmão, óleo de linhaça, sardinha, castanha-do-pará e óleo de peixe. Podem compor de 6% a 10% da dieta diária em calorias.

Gorduras corporais de acordo com a localização

No corpo, as gorduras não são iguais e, dependendo de seus papéis no organismo, tanto podem fazer bem como mal para a saúde. Primeiramente, podem ser classificadas quanto à localização:

Gordura subcutânea

Fica armazenada logo abaixo da pele e é responsável pelo surgimento da celulite. Em algumas pessoas fica acumulada na barriga e, em outras, no quadril. Pode incomodar as mulheres que apresentam celulite genética. Nos idosos, protege os órgãos em caso de queda.

Gordura visceral

Localiza-se entre os órgãos dispostos atrás da parede abdominal. É a mais prejudicial de todas porque está associada com o aumento de doenças cardiovasculares. As pessoas com elevada quantidade deste tipo de gordura em geral apresentam barriga grande e dura.

Gorduras corporais de acordo com os diferentes tipos

Hoje se sabe que a gordura presente no organismo humano se apresenta em diferentes tipos, com colorações distintas:

Gordura branca

No corpo humano, a gordura branca compõe a principal reserva de triglicérides e corresponde a 90% do tecido adiposo, responsável por armazenar as gorduras.

De forma positiva, a gordura branca ajuda a proteger os órgãos internos de impactos e compõe uma importante reserva de energia. Mas, por outro lado, tem a tendência de se acumular no organismo, produzindo inflamações, abaixando a imunidade e elevando o risco para a Covid-19.

Gordura marrom

A gordura marrom tem esta coloração porque recebe maior afluxo de sangue. Ao contrário da gordura branca, ela queima calorias para exercer determinadas funções como contribuir com o isolamento térmico do corpo e acelerar o metabolismo. Em geral, se situa na região do pescoço, abaixo da clavícula e ao longo da coluna vertebral.

Acredita-se que apenas 50 gramas da gordura marrom pode acelerar o metabolismo em 20%. Por isso, alguns estudos recentes estão verificando quais atividades físicas contribuem para transformar a gordura branca em marrom. A principal indicação, até o momento, é a prática de exercícios aeróbicos.

Gordura bege

Recentemente descoberta, a gordura bege se origina da branca e tem a função de queimar calorias indesejáveis. Sua principal característica seria a capacidade de transformar gordura má em boa. A principal fonte que contribui com a formação dessas células é uma molécula chamada irisina que, de acordo com artigos científicos, é liberada com a prática de exercícios físicos.

De uma forma geral, entre os estudiosos existe a expectativa de que tanto a gordura marrom quanto a bege possam, no futuro, serem manuseadas para facilitar o processo de emagrecimento e prevenir quadros de obesidade.











Mitos e verdades

Toda gordura faz mal

Mito. No cérebro, por exemplo, a gordura compõe 60% dos neurônios. Ela ainda é necessária para a formação das células e produção de hormônios. Além disso, gordura dá saciedade e, por isso, recomenda-se comer castanhas, abacate e coco nos intervalos das refeições.


Gordura visceral pode causar doenças

Verdade. As pessoas têm de se preocupar e não se trata de algo exclusivamente estético. Está comprovado, por exemplo, que a gordura na barriga provoca a gordura no fígado, que pode levar à cirrose.

A gordura abdominal também aumenta a predisposição para diabetes, hipertensão, AVC e infarto. A faixa ideal de medida abdominal (que é feita na altura do umbigo) para homens é de 94 a 102 cm. Para mulheres é de 80 a 88.


Colesterol alto pode ser genético

Verdade. Existem pessoas magras e atléticas com colesterol alto. Por outro lado, existem muitas pessoas acima do peso que têm colesterol normal. A dieta é responsável por 30% do colesterol. No organismo, 70% do colesterol é produzido no fígado por receptores chamados PCSK9. São eles que fazem o colesterol endógeno que entope vasos. Quem é magro e, mesmo fazendo dieta, tem colesterol alto, precisa tomar remédio, pois a maior causa de mortalidade no mundo é infarto e derrame.

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