• Dra. Maithê

Enxaqueca pode ter origem hormonal

A cefaleia é uma doença muito prevalente, afetando 18% da população brasileira. Entre as mulheres, essa incidência chega a 25%.

A enxaqueca se caracteriza por ser uma dor que lateja em um dos lados da cabeça

A enxaqueca se caracteriza por ser uma dor que lateja em um dos lados da cabeça. Muitas vezes, provoca náuseas e faz com que a pessoa prefira ficar no escuro e longe do barulho. Não há dúvidas de que se trata de uma das doenças mais incapacitantes e chega a afetar 18% da população brasileira.


Em grande parte dos casos, ela está relacionada com os hormônios produzidos no organismo.


Em função disso, a doença chega a atingir 25% das mulheres, pois o hormônio estrógeno, que regula as principais funções femininas, responde por quase 70% dos casos de enxaqueca de origem hormonal.


Em especial, por desempenhar um importante papel no controle da ovulação, o estrógeno é o grande responsável pelas famosas dores de cabeça que ocorrem durante a TPM e nas ocasiões em que a mulher inicia ou interrompe a administração da pílula anticoncepcional.


As demais enxaquecas relacionadas com hormônios estão mais comumente associadas com a tireoide, adrenalina, catecolamina, prolactina, cortisol e glicemia (hipoglicemia).


As dores de cabeça advindas de atividades da tireoide são causadas pelo desequilíbrio na quantidade de hormônios secretados por essa glândula – fenômeno que determina o hipotireoidismo ou o hipertireoidismo.


Quando a doença está associada aos hormônios adrenalina e catecolamina, que são produzidos na glândula adrenal ou suprarrenal, as ocorrências derivam do enfrentamento de situações de estresse ou patologias dessa glândula.


A cefaleia pode ainda ser gerada pela prolactina, hormônio produzido na hipófise. O aumento desse hormônio acontece no aleitamento materno, por uso de medicamentos ou por um tumor benigno na hipófise que o secreta de forma incorreta.


Já a enxaqueca ligada ao cortisol (produzido na glândula adrenal ou hipófise) ocorre quando esse hormônio é secretado em maior quantidade, nos episódios em que o organismo tenta se recuperar dos efeitos causados pelas situações de estresse.


Por sua vez, a dor de cabeça associada com a hipoglicemia em geral acontece quando o nível de insulina circulante no sangue aumenta de maneira abrupta, após longo tempo de jejum, acompanhado ou não de exercícios físicos. Nos diabéticos que usam hipoglicemiantes, isso é comum. Existem casos raros de insulinomas (tumores no pâncreas).


Para resolver ou reduzir os efeitos da enxaqueca, basta procurar o seu médico e relatar o problema. De preferência, anote previamente os sintomas, a fim de facilitar o diagnóstico, pois existem vários tipos de dores de cabeça e todos demandam tratamentos específicos.


Mitos e verdades


Enxaqueca melhora após a menopausa.

Verdade. Nesse período, cerca de 80% das mulheres melhoram porque o organismo para de produzir o estrógeno, que é o causador de grande parte dos casos de cefaleia.


Dor de cabeça piora com o excesso de testosterona

Mito. Muitos creem que a testosterona é inimiga do estrógeno. Mas às vezes são sinérgicos.


Enxaquecas de gestação não podem ser tratadas com medicação

Mito. Pode e deve ser tratada, desde que sob orientação médica. Pois nem todos os medicamentos podem ser usados por gestantes. Às vezes pode ser provocada por um súbito quadro de hipertensão, que não é raro em gestantes.


Estresse piora a cefaleia

Verdade. Situações de estresse prolongado podem induzir a produção excessiva de cortisol, adrenalina e catecolamina, gerando dores de cabeça.


A alimentação não interfere na enxaqueca causada pelos hormônios

Mito. Alimentos que estimulam o sistema nervoso podem agravar a doença. São os casos do chocolate, café, chá preto, bebidas do tipo cola e cebola, entre outros.


Clique e veja Dra. Maithê falando sobre o assunto no Programa Mulheres, na TV Gazeta.


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